Finalizando o Módulo I do Projeto Estruturante, a participação do Estilista Ronaldo Fraga, um dos nomes mais importantes no processo de construção da Identidade da Moda Brasileira, enriqueceu, de forma esplendorosa o conhecimento dos participantes do projeto, no âmbito de Planejamento e Elaboração de Coleção.
Foram 30 horas de puro aprendizado e troca de experiências, distribuídas entre os dias 04/03, 05/03 e 18/03 e 19/03. incluindo uma visita à cidade de Cachoeira, onde os alunos foram a Museus, Igrejas, conheceram um pouco da história da cidade e puderam exercitar o olhar criativo e buscar inspiração para a criação de suas coleções, objetivo principal desta disciplina e do curso.
O mesmo trabalhou com os alunos a pesquisa e confecção do scrap book, para posteriormente, cada grupo desenvolver sua coleção, com base nas pesquisas. Este trabalho será exposto em um evento, numa data ainda não determinada. Foram apresentados, ainda, alguns de seus desfiles, e todo o processo antes do evento, que vai desde a escolha do tema, pesquisa, construção do scrap book, trilha sonora, cenário, até a coleção completamente pronta. Estudou-se detalhadamente, cada desfile e tema escolhido. Observou-se que Ronaldo estabelece, em todos eles, diálogo da cultura brasileira com o mundo contemporâneo. O universo da obra de Carlos Drummond de Andrade, O sertão de Guimarães Rosa, a cerâmica das bonecas do Jequitinhonha, o legado da cantora Nara leão, temas utilizados em suas coleções – manifesto que sempre são citadas pela crítica como marcos do São Paulo Fashion Week e da Hstória da Moda no Brasil.
Para Ronaldo Fraga, o grande desafio do Designer brasileiro é tentar transpor características marcantes de sua cultura para sua roupa, sem deixá-la com cara de fantasia de carnaval ou de folclore, sem caricatices e clichês. Uma roupa que fale sua língua, se mostrando adaptada ao seu cotidiano e seu tempo. Essa é a principal característica de Ronando. Segundo ele: "Temos uma olhar muito provinciano sobre esta questão (a moda regionalista, no caso)". Para ele, "vivemos admirando e adorando os estilistas belgas e japoneses, achando seus trabalhos incríveis, quando, na verdade, são extremamente regionalistas", completa. E finaliza dizendo: "Deveria existir um compromisso civil do designer brasileiro em tentar entender aquilo que temos mais bem resolvido, que é a cultura brasileira".
Para todos os participantes, o aprendizado adquirido durante estes dias, servirá de alicerce sólido para uma mudança na mentalidade dos mesmos, transformando as informações adquiridas em ações, alcançando um grande diferencial individual e, automaticamente, fortalecimento do setor em Feira de Santana.
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